O Dia Internacional da Mulher é frequentemente marcado por homenagens e celebrações. No entanto, para muitas mulheres, a data também é um momento de denúncia e reflexão sobre as desigualdades e violências que ainda marcam profundamente a sociedade.
Neste contexto, um grupo de mulheres ativistas reunidas sob o histórico Grupo Mulata Exportação lançou o manifesto “Mulheres em Resistência”, chamando atenção para a persistência da violência de gênero no Brasil e para a urgência de políticas públicas eficazes.
Segundo Virgínia Tomas, o assassinato de mulheres se tornou uma realidade alarmante no país e precisa ser enfrentado com prioridade pelas instituições públicas e pela sociedade.
A ativista Ester Gonçalves destaca que o Brasil já possui importantes instrumentos legais, como as leis de proteção às mulheres, mas alerta que sua efetividade depende da aplicação rigorosa e de políticas estruturais de prevenção. Para ela, é fundamental que essas políticas alcancem todas as mulheres, incluindo mulheres trans.
O testemunho de Marice De Paula, sobrevivente de violência há mais de quatro décadas, reforça a dimensão histórica do problema. Segundo ela, embora o tempo tenha passado, a violência contra as mulheres continua presente e exige respostas mais firmes do Estado.
Para Sueli Farias, o feminicídio deve ser tratado como um crime hediondo que revela uma violência sistêmica e estrutural, demandando ações articuladas entre justiça, segurança pública, educação e políticas sociais.
O manifesto também traz uma mensagem de esperança. Silvia Paulista afirma que as mulheres são fortes e capazes de transformar a realidade atual de violência.
Já a cantora Silvinha ressalta que o empoderamento feminino possui uma dimensão coletiva e generosa. Quando as mulheres se realizam e compartilham saberes, toda a sociedade se beneficia. Em suas palavras, as mulheres são multifacetadas e inspiram umas às outras — razão pela qual é necessário dizer com firmeza: é preciso parar de matar mulheres.
Inspiradas pelas palavras da escritora Conceição Evaristo, que afirmou que “eles combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer”, as autoras do manifesto reafirmam a necessidade de resistir e lutar por transformações concretas.
O documento conclui com a exigência de políticas públicas eficazes de prevenção à violência, proteção às vítimas e responsabilização dos agressores, lembrando que o 8 de março deve ser, acima de tudo, um momento de luta por igualdade e dignidade.
Assinam o manifesto:
Virgínia Tomas, Ester Gonçalves, Marice De Paula, Sueli Farias, Silvia Paulista, Silvinha (cantora) e Lara Dee.